Hey!


Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 24 de agosto de 2007

 

A volta de Sly

 

 

 

Em meados dos anos 90, o cantor e compositor Zé Rodrix me disse que não tinha a menor vontade de voltar aos palcos e estava muito feliz em sua carreira de publicitário e escritor. Alguns anos após esta firme recusa, ouço falar que o trio de rock rural composto por ele, Luís Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra havia voltado a fazer shows, lançando inclusive um disco ao vivo pela Som Livre. O “bichinho do palco” parece que fica em quem um dia pisou nele e não é possível evitá-lo.

Acabo de saber que Sly Stone está novamente em turnê, tendo inclusive tocado há pouco mais de um mês no festival de jazz de Montreux. Para quem gosta de música negra americana não pode haver notícia melhor. Afinal, Stone fez parte da santíssima trindade do funk americano, ao lado do saudoso James Brown e de George Clinton. Três doidaços que colocaram mais ginga e veneno no soul e no R&B, definindo o que seria a black music a partir dos anos 60 e formando gerações, de Prince a Red Hot Chilli Peppers, de Tim Maia a Chico Science. A primeira vez que vi Sly em ação foi com sua banda, a Family Stone, em uma performance arrasadora de “I want to take you higher” no festival de Woodstock. O filme do festival passou em uma sessão histórica no Teatro do Parque nos anos 80 e eu – ainda bem garoto – fiquei chapado com aquela figura que cantava e tocava órgão de forma enlouquecida, usando roupas coloridas e cabelo black power. Sly & The Family Stone lançariam clássicos fundamentais da música negra como Everyday people, Stand!, Sing a simple song e Family affair. Mas sérios problemas com drogas, que levariam Sly à prisão, acabaram por fazê-lo sair de cena nos anos 80. Ele voltaria apenas para apresentações esporádicas como convidado em shows de amigos. Agora, podemos ver um Sly envelhecido e debilitado, mas ainda com voz poderosa e imenso carisma. Um trecho de sua apresentação no festival de jazz de North Sea, em julho último, pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=6dPTl85QI74.

 

Festa de despedida

 

 

Na semana que vem a Hey! vai se despedir deste espaço do Diário de Pernambuco. Outros compromissos profissionais me impedem de continuar. Mas todos os leitores e amigos estão convidados para a festa de despedida que vai acontecer neste sábado, a partir das 23h no bar Boratcho, localizado na galeria Joana D’Arc no Pina. A idéia é fazer um apanhado de muitos dos bons sons que foram comentados aqui em pouco mais de um ano. Coisas novas, velharias, indie-rock, electro, black music e pancadão vão estar na mistura. De Prince a Timbaland, de Talking Heads a Arctic Monkeys, de Giorgio Moroder a Cansei de Ser Sexy, a idéia é não deixar ninguém parado. E ainda por cima a entrada é franca. Vai perder?

 

P.S.: A festa foi demais e só acabou de manhã. Valeu!

 

Shows nacionais

Na semana passada, falei de shows internacionais inesquecíveis que havia presenciado. Prometi para hoje falar das apresentações de artistas brasileiros. Hermeto Paschoal no teatro Guararapes foi demais. Depois de mais de três horas de música e invenção, Hermeto e seus músicos pegaram instrumentos de fanfarra e saíram como uma bandinha do interior tocando frevo até a rua do Centro de Convenções com o público dançando atrás. Outra grande performance foi oferecida por Paulinho da Viola no Teatro do Parque, lá por fins dos anos 80, com inúmeros de seus clássicos. Um momento inesquecível do Teatro do Parque foi o show de Ângela Rorô, cheio de blues e escracho. Ou Arrigo Barnabé tocando Clara Crocodilo no mesmo lugar. Raul Seixas, embora já debilitado e escudado por Marcelo Nova, fez um show comovente no Centro de Convenções. Pude também ver vários shows fantásticos de Chico Science e Nação Zumbi. Na verdade, desde antes, na época do Orla Orbe, Loustal e Lamento Negro. Mas Chico no Abril Pro Rock de 1996 estava realmente inspirado. CS&NZ estavam prestes a lançar o Afrociberdelia e tiveram Gilberto Gil como convidado na então inédita “Macô”. Já ver a banda paulistana Fellini em um Rec Beat Carnaval há alguns anos foi algo que eu jamais imaginaria nos anos 80, quando o grupo de Thomas Pappon estava no auge. Outro momento inacreditável do Rec Beat foi a apresentação de Rogério Skylab, figuraça carioca, autor da sensacional “Matador de passarinho”. Claro que vi shows de medalhões da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e mais recentemente Chico Buarque. De todos esses, os que mais me impressionaram foram Gil à época do disco “Extra!” e Caetano em seu “Estrangeiro”. Quanto às bandas pernambucanas, foram tantos os grandes shows que cometeria alguma injustiça ou indelicadeza se citasse alguma aqui, porque seguramente esqueceria uma ou outra.

 

Prêmio da semana

O leitor Alexandre Rafael ganhou a discografia completa do R.E.M. que, segundo ele, “tem canções melódicas com rimas românticas e de ativismo”. O prêmio agora são todos os discos em versão digital de Sly & The Family Stone. Para ganhar, basta dizer o nome do grupo político negro americano que liderava o movimento “Black Power” nos anos 60 e 70. Foram até citados por Chico Science em “Monólogo ao pé do ouvido”.



Escrito por André Balaio às 21h47
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, GRACAS, Homem, de 36 a 45 anos
MSN -
Histórico
Outros sites
  A moça do meu sonho
  Podreira rules
  Nossa Senhora de Guadalupe
  Uillames, o cãozinho dos tecrado
  Debbie Nice
  Um certo Mister Wong...
  Da Maia, meu vereador
  Larissa Young
  Jar-jar da Revista Coquetel (palavras cruzadas)
  Sasquatch
  Duda, príncipe valente
  Pepe Legal
  Ju Lisboa
  Stewart Lilo
  O amor de Dartagnan
  A menina legal do blog impronunciável
  Rosinha em ação
  Kinemail
  O Recife Assombrado
Votação
  Dê uma nota para meu blog