Hey!


 

Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 03 de agosto de 2007

 

Mais pesado que o ar

 

 

A cena mais engraçada do filme “Quanto mais idiota melhor” é aquela em que Wayne (Mike Myers) pega uma guitarra em uma loja e começa a dedilhar o começo de “Stairway to heaven”. O vendedor prende as cordas e mostra o aviso na parede: “Proibido Stairway to heaven”. A canção do Led Zeppelin tem sido massacrada anos a fio por jovens guitarristas aprendizes, o que mostra o quanto a banda inglesa é venerada, vinte e sete anos após o seu fim.

Nenhum outro grupo de rock foi tão emblemático da imagem de excessos e do chavão “sexo, drogas e rock and roll” quanto o Led Zeppelin. O nome “Zeppelin de chumbo” foi sugerido pelo lendário baterista Keith Moon do The Who, que queria montar uma banda com o guitarrista Jimmy Page, remanescente dos Yardbirds. A descrição foi perfeita para o que viria depois: “É pesado, mas voa”. Caracterizados pelo virtuosismo musical, pela megalomania em seus shows e pelos excessos típicos do estrelismo, seriam alvo preferencial dos punks. Lotavam ginásios em turnês milionárias. Faziam orgias com groupies e quebravam quartos de hotéis. Eram metidos com ocultismo, ao ponto de Page comprar o castelo do bruxo inglês Aleister Crowley à beira do lago Ness. Mas a música, que é o que realmente interessa, sempre foi das melhores. Eles faziam uma mescla de blues pesado, rock and roll e folk, colocando até funk e reggae em seu caldeirão sonoro. Aliás, o termo “Heavy Metal” foi usado pela primeira vez por um jornalista para definir o som pesado da banda. Hoje seu público parece aumentar a cada dia. A maioria não era nem nascida setembro de 1980, quando o baterista John “Bonzo” Bonham encheu a cara com doses fartas de vodka e foi encontrado morto, provocando o fim da banda. A influência do Led Zeppelin pode ser percebida em grupos recentes como White Stripes, Wolfmother e Mars Volta.

Embora o trio remanescente tenha se reunido em ocasiões especiais como o Live Aid em 1985, nunca houve uma volta oficial. Agora, o anúncio do lançamento da coletânea especial “Mothership” em novembro e de um provável retorno em 2008 com seus três integrantes originais (além de Page, John Paul Jones no baixo e teclados e Robert Plant nos vocais) está deixando o mundo da música em polvorosa. Uma turnê bem sucedida - como a que o Police está fazendo agora - trará alegria para seus inúmeros fãs e muitos dólares para suas contas bancárias.

 

Trupe do barulho

Não deve ser fácil fazer um festival (com direito a atrações internacionais), uma revista, um selo, um programa de rádio, um site... tudo isso fora do eixo Rio-São Paulo. A trupe pernambucana Coquetel Molotov tem se saído muito bem nesta tarefa de fugir do óbvio e abordar a música independente sem amarras a estilos pré-definidos. A diversidade musical aparece mais uma vez na terceira edição da revista Coquetel Molotov, que acaba de ser lançada e é entregue gratuitamente em bares e livrarias legais e pode também ser baixada no endereço www.coquetelmolotov.com.br.  A festa de lançamento da revista será na próxima terça às 22h, no UK Pub, com direito a show da interessante banda Monodecks e som do DJ Salvador. A trupe também aproveitou para anunciar algumas atrações do festival No Ar – Coquetel Molotov, que já entrou para o calendário musical recifense. O evento, que ocorre em 14 e 15 de setembro, já tem como certas as participações da brasileira Cibelle, nova diva da música brasileira no exterior que tocará pela primeira vez no Brasil. O festival também trará a terceira edição do projeto “Invasão Sueca”, com shows dos grupos Love is All, Suburban Kids With Biblical Names e a cantora indie-folk Hello Saferide. É pra ficar ligado.



Escrito por André Balaio às 18h15
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Tempos modernos

 

 

A declaração de Elton John pedindo o fim da Internet para preservar a indústria musical deveria ganhar o prêmio de “besteira da semana”. O veterano cantor e compositor revelou ser um tecnófobo (ou seja, tem aversão à tecnologia) que não possui nem aparelho celular. E culpa os downloads em rede pela baixa vendagem - cem mil cópias - de seu último disco The Captain & The Kid. Elton deveria entender que a indústria está acabando nos moldes tradicionais (o que é ótimo), mas a música vai bem, obrigado. Hoje, um músico não é obrigado a ser escravo de gravadoras para que seu trabalho seja conhecido do grande público. Basta saber usar a rede. A grana vem de shows e da liberação de sua música para download e outros fins. Elton, não é preciso ser jovem para usar a Internet! Faça como seu colega David Bowie, que foi um dos pioneiros no uso da web e hoje ganha muito dinheiro com isso.

 

Prêmio da semana

O leitor Vítor Branco foi sorteado entre os diversos fãs de Prince que escreveram dizendo o nome completo do genial músico: Prince Rogers Nelson. E vai ganhar sua discografia em mp3. O prêmio da semana é a coleção completa de discos do Led Zeppelin em formato digital. Para ganhar, basta escrever para a coluna (andrebalaio@gmail.com) dizendo: qual o nome do filme em que a banda fictícia Stillwater foi claramente inspirada no Led Zeppelin?



Escrito por André Balaio às 18h14
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 27 de julho de 2007

 

O príncipe do pop

 

 

A primeira vez que vi Prince foi no clipe de “1999”, bem no comecinho dos anos 80. Lembro que ele foi anunciado como “o ídolo de Michael Jackson”, numa tentativa de lhe dar legitimidade através do cantor que estourava em todo o mundo com o disco “Thriller”. Em 1984, fui pego em cheio com a fantástica “When doves cry” pelo vídeo que passava de instante em instante na TV e tinha imagens do filme “Purple Rain”. A mistura de rock e black music daquele belo lamento pop não sairiam mais da minha lista de preferidos. Lembro que alguns amigos headbangers torceram o nariz quando admiti que “Prince era legal”. À medida que os anos 80 avançavam, Prince se firmou não só como um artista “legal”, mas como um gênio. Tão prolífico que o chamavam de “Mozart mulato”. Sua música era pop, sexy, dançante, criativa, sofisticada e influente. Discos como “Parade”, “Lovesexy” e principalmente o álbum duplo (e obra-prima) “Sign “O” The Times” eram o ponto alto das primeiras festas legais que pude ir na vida. Ele ainda se notabilizaria com várias de suas canções gravadas por outros artistas, caso de "Nothing Compares 2 U", enorme sucesso na regravação de Sinéad O'Connor.

Os anos 90 vieram com o furacão grunge e Prince foi ficando esquecido à medida que se tornava mais excêntrico. Depois de uma batalha judicial com a gravadora Warner, que detinha os direitos sobre sua obra, ele decidiu trocar seu nome por um símbolo impronunciável. “O artista” – como também era chamado – lançou discos “assinados” pelo símbolo ou como integrante da banda New Power Generation. Seu sucesso artístico e comercial minguou até o início do novo milênio, quando voltou a usar seu nome de batismo. Em 2004, saiu “Musicology”, grande retorno do músico às paradas e à boa forma musical.

Agora, ele acaba de lançar seu novo álbum “Planet Earth”. E o pequeno gênio de Minneapolis voltou a surpreender. É que o disco saiu gratuito na Inglaterra - encartado no jornal “The Mail on Sunday” – o que provocou a ira dos lojistas britânicos. Embora não seja um de seus melhores, “Planet Earth” é uma interessante salada pop que leva R&B, rock (é um dos discos mais roqueiros de sua carreira), soul, hip hop, disco e jazz. Inclusive o primeiro single é o rock “Guitar”, que traz o verso: “Eu te amo, garota, mas não tanto quanto eu amo minha guitarra”. Quase não existem efeitos eletrônicos, o que lhe confere um interessante ar “retrô”. Há idiossincrasias, como o vocal saturado e estranho em “Future Baby Mama”. Mas é a sacolejante “Chelsea Rogers”, segundo single, a melhor canção do disco e uma das melhores do ano. A alteza está de volta.



Escrito por André Balaio às 10h20
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O rei Midas

 

Timbaland é o homem que hoje transforma música pop em ouro. Sua extensa folha de serviços vai de Justin Timberlake a Björk, quase sempre com resultados surpreendentes. Pois bem, o produtor agora fez milagre com The Hives. Para quem não lembra, esta é aquela banda sueca apontada como a “salvação” do Rock na virada do milênio junto com a australiana e quase homônima The Vines. Mas o sucesso de grupos como The Libertines, The Strokes e Franz Ferdinand abafou a onda das bandas de nome parecido. Mas Timbaland gosta de desafios e fez uma parceria com os suecos em "Throw It On Me", rock energético com guitarras altas, batida hiper-dançante e os vocais hip hop de Timbaland tendo ao fundo o refrão roqueiro gritado pelo vocalista Pelle Almqvist. O resultado ficou tão legal que o Midas incluiu em seu último disco, “Timbaland presents Shock Value”. Este, por sua vez, é uma aula de hip hop e R&B, com músicas pegajosas e arranjos inusitados. Há também uma grande quantidade de convidados famosos, como Nelly Furtado, Justin Timberlake, Missy Elliot e um improvável Elton John.

O vídeo-clipe de "Throw It On Me" tem visual baseado em Sin City. Está em http://www.timbalandmusic.com/media/player.aspx?mid=311&bhcp=1. Vale à pena dar uma olhada.

 

O arqueólogo

Além de líder da banda Profiterolis e compositor de trilhas sonoras de filmes pernambucanos, Tomaz Alves tem uma outra atividade musical admirável: ele tem desencavado tesouros em forma de vídeos antigos, colocando-os no You Tube. O perfil do moço é http://www.youtube.com/user/acurtina e traz antigos vídeos tirados de especiais de Natal de Roberto Carlos. Está lá a estréia da música “Amigo” em 1977, com Erasmo se debulhando em lágrimas. Também pode ser visto um curioso dueto do rei com Caetano Veloso na música “Como dois e dois” deste último, mostrado no especial de 1975. Beach Boys, Bryan Ferry e Marc Bolan também marcam presença em imagens raras. Periga viciar.

 

Prêmio da semana

O leitor Luiz Mastrangeli ganhou a discografia em mp3 do Talking Heads. Segundo ele, cada trabalho da banda americana é único e não cabe em uma simples coletânea. O prêmio da semana é a discografia completa de Prince em versão digital. Escreva para a Hey! (andrebalaio@gmail.com) respondendo: Qual o nome completo do pequeno e genial músico de Minneapolis?



Escrito por André Balaio às 10h20
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