Hey!


Despedida

 

 

“Já está chegando a hora de ir. Venho aqui me despedir e dizer: Em qualquer lugar por onde eu andar, vou lembrar de você”.  O rei realmente sabe das coisas. Detesto despedidas, baby. Mas é preciso ir embora. Esta é a última coluna Hey! a sair aqui. Outros compromissos profissionais me impedem de continuar. Além disso, a proposta deste espaço - cedido de forma generosa e ousada pelo Diário de Pernambuco - sempre foi de renovar seus articulistas após um certo tempo. De minha parte, posso garantir que esse tempo de pouco mais de um ano foi uma experiência fantástica. Afinal, não sou jornalista e antes tinha apenas a Internet como veículo para meus escritos. Um jornal impresso de enorme circulação como o Diário é diferente: atinge-se um público muito mais amplo e diversificado.

A proposta da Hey! é falar de música boa, de qualquer estilo e época. Foram sessenta edições impressas, comentando lançamentos, desencavando artistas esquecidos, falando de fatos interessantes ligados à música. Tentei fugir do óbvio e da mediocridade. Se consegui ou não, quem leu as colunas poderá julgar. Tudo foi escrito com muita paixão, que é o mínimo que este assunto exige. Não deu para falar de tudo o que gosto e posso nem ter falado do que você gosta, mas garanto que a nata da música popular passou por aqui. Você gostou?

 

Os leitores

Eles deram um show à parte. Escrevendo, comentando, participando dos sorteios. Posso afirmar sem demagogia que a interação com os leitores foi a coisa mais interessante em tudo isso. Apesar de falar de música pop, tema sempre ligado a jovens, tive retorno de pessoas de várias idades. Muitos me pediram gravações, deram sugestões, tiraram dúvidas. Foi o mais divertido serviço de utilidade pública que alguém poderia fazer.

 

A Internet

A bem da verdade, a Hey! não acabou. Permanecerá sendo atualizada no meu blog (http://dubalai.zip.net/). Lá estão também as edições antigas, fartamente ilustradas. Além disso, tenho engatilhadas participações em alguns sites muito legais. A internet confirma-se como o grande veículo de divulgação do mundo atual. Impossível para quem faz, ouve, consome ou trabalha com música ficar fora da grande rede. É lá que estão as novidades e as coisas raras. A web é o lugar de obter, ouvir e comentar a melhor música feita hoje em dia.

 

A banda

Poucas coisas são melhores do que escrever sobre música. Fazer música é uma delas. Um dos motivos que precipitaram a minha saída foi justamente a vontade de me dedicar mais à minha nova banda. Para quem não sabe, desde a década de 80 que sou músico, cantando em bandas como N.D.R., Paulo Francis Vai Pro Céu e The Coffeebreakers. O novo grupo chama-se Pocilga DeLuxe. A idéia é fazer música pop estranha, elegante e kitsch, sofisticada e brega, pesada e suave. A banda adota uma linha que fica entre Roxy Music e Serge Gainsbourg, Nick Cave e Rogério Skylab. Em breve a Pocilga DeLuxe estará dando as caras, em shows e na internet.  Vai ficar ligado?

 

A festa

A despedida da coluna do jornal teve festa que varou a madrugada e bombou até de manhã. O Boratcho, simpático bar mexicano localizado na galeria Joana D’Arc ficou pequeno para um povo ávido para dançar com bons sons. Tocou-se tudo que foi prometido, mas também houve surpresas. Muita gente depois veio me pedir bis. Pode ser, mas não agora. 

 

Os prêmios

Celina Aragão ganhou a discografia completa de Sly & The Family Stone em mp3, porque acertou que o grupo político negro americano - citado por Chico Science em “Monólogo ao pé do ouvido”- ponta-de-lança do movimento “Black Power” nos anos 60 e 70 era “Os panteras negras”. Os prêmios ao longo da coluna, aliás, foram um caso à parte. A proposta sempre foi sortear trabalhos de artistas locais interessantes ou discografias de bandas e cantores legais. Algumas vezes, os leitores vencedores nem conheciam os artistas e tiveram uma excelente oportunidade de conhecê-los. Em outras, eram grandes fãs que puderam ter acesso a alguns de seus discos mais raros. Nesta derradeira semana, pretendo fazer um sorteio especialíssimo. O leitor me diz sua banda preferida ou alguma que ele quer muito conhecer. E eu mandarei a discografia digital deste artista. O resultado será enviado por e-mail e sairá no meu blog (http://dubalai.zip.net/). Lembra do e-mail? É andrebalaio@gmail.com.



Escrito por André Balaio às 06h07
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 24 de agosto de 2007

 

A volta de Sly

 

 

 

Em meados dos anos 90, o cantor e compositor Zé Rodrix me disse que não tinha a menor vontade de voltar aos palcos e estava muito feliz em sua carreira de publicitário e escritor. Alguns anos após esta firme recusa, ouço falar que o trio de rock rural composto por ele, Luís Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra havia voltado a fazer shows, lançando inclusive um disco ao vivo pela Som Livre. O “bichinho do palco” parece que fica em quem um dia pisou nele e não é possível evitá-lo.

Acabo de saber que Sly Stone está novamente em turnê, tendo inclusive tocado há pouco mais de um mês no festival de jazz de Montreux. Para quem gosta de música negra americana não pode haver notícia melhor. Afinal, Stone fez parte da santíssima trindade do funk americano, ao lado do saudoso James Brown e de George Clinton. Três doidaços que colocaram mais ginga e veneno no soul e no R&B, definindo o que seria a black music a partir dos anos 60 e formando gerações, de Prince a Red Hot Chilli Peppers, de Tim Maia a Chico Science. A primeira vez que vi Sly em ação foi com sua banda, a Family Stone, em uma performance arrasadora de “I want to take you higher” no festival de Woodstock. O filme do festival passou em uma sessão histórica no Teatro do Parque nos anos 80 e eu – ainda bem garoto – fiquei chapado com aquela figura que cantava e tocava órgão de forma enlouquecida, usando roupas coloridas e cabelo black power. Sly & The Family Stone lançariam clássicos fundamentais da música negra como Everyday people, Stand!, Sing a simple song e Family affair. Mas sérios problemas com drogas, que levariam Sly à prisão, acabaram por fazê-lo sair de cena nos anos 80. Ele voltaria apenas para apresentações esporádicas como convidado em shows de amigos. Agora, podemos ver um Sly envelhecido e debilitado, mas ainda com voz poderosa e imenso carisma. Um trecho de sua apresentação no festival de jazz de North Sea, em julho último, pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=6dPTl85QI74.

 

Festa de despedida

 

 

Na semana que vem a Hey! vai se despedir deste espaço do Diário de Pernambuco. Outros compromissos profissionais me impedem de continuar. Mas todos os leitores e amigos estão convidados para a festa de despedida que vai acontecer neste sábado, a partir das 23h no bar Boratcho, localizado na galeria Joana D’Arc no Pina. A idéia é fazer um apanhado de muitos dos bons sons que foram comentados aqui em pouco mais de um ano. Coisas novas, velharias, indie-rock, electro, black music e pancadão vão estar na mistura. De Prince a Timbaland, de Talking Heads a Arctic Monkeys, de Giorgio Moroder a Cansei de Ser Sexy, a idéia é não deixar ninguém parado. E ainda por cima a entrada é franca. Vai perder?

 

P.S.: A festa foi demais e só acabou de manhã. Valeu!

 

Shows nacionais

Na semana passada, falei de shows internacionais inesquecíveis que havia presenciado. Prometi para hoje falar das apresentações de artistas brasileiros. Hermeto Paschoal no teatro Guararapes foi demais. Depois de mais de três horas de música e invenção, Hermeto e seus músicos pegaram instrumentos de fanfarra e saíram como uma bandinha do interior tocando frevo até a rua do Centro de Convenções com o público dançando atrás. Outra grande performance foi oferecida por Paulinho da Viola no Teatro do Parque, lá por fins dos anos 80, com inúmeros de seus clássicos. Um momento inesquecível do Teatro do Parque foi o show de Ângela Rorô, cheio de blues e escracho. Ou Arrigo Barnabé tocando Clara Crocodilo no mesmo lugar. Raul Seixas, embora já debilitado e escudado por Marcelo Nova, fez um show comovente no Centro de Convenções. Pude também ver vários shows fantásticos de Chico Science e Nação Zumbi. Na verdade, desde antes, na época do Orla Orbe, Loustal e Lamento Negro. Mas Chico no Abril Pro Rock de 1996 estava realmente inspirado. CS&NZ estavam prestes a lançar o Afrociberdelia e tiveram Gilberto Gil como convidado na então inédita “Macô”. Já ver a banda paulistana Fellini em um Rec Beat Carnaval há alguns anos foi algo que eu jamais imaginaria nos anos 80, quando o grupo de Thomas Pappon estava no auge. Outro momento inacreditável do Rec Beat foi a apresentação de Rogério Skylab, figuraça carioca, autor da sensacional “Matador de passarinho”. Claro que vi shows de medalhões da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e mais recentemente Chico Buarque. De todos esses, os que mais me impressionaram foram Gil à época do disco “Extra!” e Caetano em seu “Estrangeiro”. Quanto às bandas pernambucanas, foram tantos os grandes shows que cometeria alguma injustiça ou indelicadeza se citasse alguma aqui, porque seguramente esqueceria uma ou outra.

 

Prêmio da semana

O leitor Alexandre Rafael ganhou a discografia completa do R.E.M. que, segundo ele, “tem canções melódicas com rimas românticas e de ativismo”. O prêmio agora são todos os discos em versão digital de Sly & The Family Stone. Para ganhar, basta dizer o nome do grupo político negro americano que liderava o movimento “Black Power” nos anos 60 e 70. Foram até citados por Chico Science em “Monólogo ao pé do ouvido”.



Escrito por André Balaio às 21h47
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 17 de agosto de 2007

 

O show não pode parar

 

 

É dos carecas que elas gostam mais...

 

Dia desses, me perguntaram qual o melhor show que vi na vida. Claro que para uma pergunta dessas não vale falar de nada visto em vídeo, TV ou cinema. Caso contrário eu citaria os Beatles tocando Get Back no telhado da gravadora deles, a Apple. Então, dos shows que pude presenciar, o melhor seria um empate triplo entre R.E.M. (Rock in Rio 2001), Pixies (Curitiba Pop Festival 2004) e Wilco (Tim Festival 2005). O R.E.M. estava inspirado naquele sábado, 13 de janeiro. Cássia Eller, Beck e Foo Fighters já tinham preparado a audiência com performances memoráveis. Mas o R.E.M. foi especial: a banda tocou praticamente todos os seus clássicos de forma magnífica. No refrão de “The one I love”, quando Michael Stipe gritava “Fire!” um mar de gente - quase duzentas mil pessoas - levantava os braços, como se fosse ensaiado. Comovente. Uma semana depois teve Neil Young na cidade do Rock, acompanhado pela Crazy Horse, sua banda preferida dos shows elétricos. Usando um chapéu de cowboy, Neil tocou obras-primas como “Cortez the killer” e “Like a hurricane” em finais longuíssimos e barulhentos.

Já ver o Pixies foi algo mágico. A banda – que fez parte da minha formação musical - estava voltando depois de um hiato de onze anos. O show foi em um lugar lindo, a pedreira Paulo Leminski em Curitiba. No momento em que Frank Black começou a cantar “Hey!”, cujo nome serviu de inspiração para esta coluna, olhei para o céu, observei uma bela lua cheia e pensei: devo ter morrido e agora estou no paraíso! Já o show do Wilco não teve esse encantamento, mas foi um longo deleite. Estávamos cansados e felizes pela ótima performance do Arcade Fire naquela noite. Mas Jeff Tweedy e companhia vieram de forma calma e simpática, numa postura com afetação zero. Em poucos minutos, as belas melodias nos envolviam e os arranjos que oscilavam entre delicadeza e peso nos empolgavam. Outra noite inesquecível foi a que reuniu Belle & Sebastian, Sigur Rós e Grandaddy no Free Jazz Festival de 2001.

Também pude ver grandes shows de atrações internacionais em Recife. O Faith No More no Geraldão, por exemplo, marcou o início dos anos 90. Outra pérola foi o divertidíssimo e pouco visto show do Man or Astroman no Circo Maluco Beleza. Ou a verdadeira aula de rock que foi a performance matadora do Jon Spencer Blues Explosion em pleno Abril Pro Rock, no ano da graça de 2001. Aliás, este foi um dos melhores anos da história dos shows internacionais no Brasil. Para terminar, impossível deixar de lembrar do Teenage Fan Club no festival “No Ar Coquetel Molotov” há três anos. Na semana que vem, falarei dos shows nacionais inesquecíveis.



Escrito por André Balaio às 19h56
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Quando entrar setembro...

E por falar em “No Ar Coquetel Molotov”, em 14 e 15 de setembro, Recife terá mais uma leva de interessantes shows internacionais. Virão da Suécia Love is All e Hello Saferide e dos EUA a Prefuse 73. E também a queridíssima Nouvelle Vague, projeto francês que resgata clássicos dos anos 80 em versão bossa nova. Mas os brasileiros vão ficar à altura. Além das pratas da casa Volver, Vamoz! e o jazzy “mutcho loco” do Conceição Tchubas, a coluna recomenda os shows da Supercordas (RJ), do Fóssil (CE) e do alagoano-catarinense Wado. Tudo isso vai rolar no Teatro e na Sala Cine UFPE.

 

Hoje à noite

Se, ao ler o texto acima, você ficou com vontade de ver um show legal, a noite de hoje promete. Duas bandas que garantem o escracho e a diversão estarão juntas na estréia do projeto Atomic Spin no Catamarã. Embora bem diferentes, têm em comum um certo prazer em chocar o público desavisado, a irreverência Rock and Roll e uma performance divertidíssima. São as Barbis de Olinda (voltando depois de uma parada para a preparação do primeiro disco) e a Montage, banda cearense que faz um Electro-rock muito legal, com apresentações marcantes aqui em Recife no Abril Pro Rock e no Rec Beat. Haverá também DJs e exposição de artes plásticas e moda.

 

Decepção

Alguém gostou de Zeitgeist, o novo disco dos Smashing Pumpkins? Eu não. Não que o tenha achado totalmente ruim, mas esperava mais da volta da banda de Billy Corgan, tão importante para os bons sons dos anos 90. Quem me convencer que o disco é tão bom quanto o “Mellon Collie”, por exemplo, ganha a discografia da banda em mp3.

 

 

Prêmio da semana

O leitor José Juvino foi sorteado entre os que acertaram o nome do filme em que a banda de mentirinha Stillwater foi claramente inspirada no Led Zeppelin. Trata-se de “Quase famosos”, do diretor e ex-crítico da Rolling Stone Cameron Crowe. Ele vai ganhar a discografia completa da banda de Jimmy Page em mp3. O prêmio desta semana é a coleção de discos em formato digital de um dos artistas citados na coluna de hoje: R.E.M., Pixies, Neil Young, Beck ou Wilco. Para ganhar, escreva para a coluna (andrebalaio@gmail.com) dizendo por que você quer ganhar.



Escrito por André Balaio às 19h55
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 03 de agosto de 2007

 

Mais pesado que o ar

 

 

A cena mais engraçada do filme “Quanto mais idiota melhor” é aquela em que Wayne (Mike Myers) pega uma guitarra em uma loja e começa a dedilhar o começo de “Stairway to heaven”. O vendedor prende as cordas e mostra o aviso na parede: “Proibido Stairway to heaven”. A canção do Led Zeppelin tem sido massacrada anos a fio por jovens guitarristas aprendizes, o que mostra o quanto a banda inglesa é venerada, vinte e sete anos após o seu fim.

Nenhum outro grupo de rock foi tão emblemático da imagem de excessos e do chavão “sexo, drogas e rock and roll” quanto o Led Zeppelin. O nome “Zeppelin de chumbo” foi sugerido pelo lendário baterista Keith Moon do The Who, que queria montar uma banda com o guitarrista Jimmy Page, remanescente dos Yardbirds. A descrição foi perfeita para o que viria depois: “É pesado, mas voa”. Caracterizados pelo virtuosismo musical, pela megalomania em seus shows e pelos excessos típicos do estrelismo, seriam alvo preferencial dos punks. Lotavam ginásios em turnês milionárias. Faziam orgias com groupies e quebravam quartos de hotéis. Eram metidos com ocultismo, ao ponto de Page comprar o castelo do bruxo inglês Aleister Crowley à beira do lago Ness. Mas a música, que é o que realmente interessa, sempre foi das melhores. Eles faziam uma mescla de blues pesado, rock and roll e folk, colocando até funk e reggae em seu caldeirão sonoro. Aliás, o termo “Heavy Metal” foi usado pela primeira vez por um jornalista para definir o som pesado da banda. Hoje seu público parece aumentar a cada dia. A maioria não era nem nascida setembro de 1980, quando o baterista John “Bonzo” Bonham encheu a cara com doses fartas de vodka e foi encontrado morto, provocando o fim da banda. A influência do Led Zeppelin pode ser percebida em grupos recentes como White Stripes, Wolfmother e Mars Volta.

Embora o trio remanescente tenha se reunido em ocasiões especiais como o Live Aid em 1985, nunca houve uma volta oficial. Agora, o anúncio do lançamento da coletânea especial “Mothership” em novembro e de um provável retorno em 2008 com seus três integrantes originais (além de Page, John Paul Jones no baixo e teclados e Robert Plant nos vocais) está deixando o mundo da música em polvorosa. Uma turnê bem sucedida - como a que o Police está fazendo agora - trará alegria para seus inúmeros fãs e muitos dólares para suas contas bancárias.

 

Trupe do barulho

Não deve ser fácil fazer um festival (com direito a atrações internacionais), uma revista, um selo, um programa de rádio, um site... tudo isso fora do eixo Rio-São Paulo. A trupe pernambucana Coquetel Molotov tem se saído muito bem nesta tarefa de fugir do óbvio e abordar a música independente sem amarras a estilos pré-definidos. A diversidade musical aparece mais uma vez na terceira edição da revista Coquetel Molotov, que acaba de ser lançada e é entregue gratuitamente em bares e livrarias legais e pode também ser baixada no endereço www.coquetelmolotov.com.br.  A festa de lançamento da revista será na próxima terça às 22h, no UK Pub, com direito a show da interessante banda Monodecks e som do DJ Salvador. A trupe também aproveitou para anunciar algumas atrações do festival No Ar – Coquetel Molotov, que já entrou para o calendário musical recifense. O evento, que ocorre em 14 e 15 de setembro, já tem como certas as participações da brasileira Cibelle, nova diva da música brasileira no exterior que tocará pela primeira vez no Brasil. O festival também trará a terceira edição do projeto “Invasão Sueca”, com shows dos grupos Love is All, Suburban Kids With Biblical Names e a cantora indie-folk Hello Saferide. É pra ficar ligado.



Escrito por André Balaio às 18h15
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Tempos modernos

 

 

A declaração de Elton John pedindo o fim da Internet para preservar a indústria musical deveria ganhar o prêmio de “besteira da semana”. O veterano cantor e compositor revelou ser um tecnófobo (ou seja, tem aversão à tecnologia) que não possui nem aparelho celular. E culpa os downloads em rede pela baixa vendagem - cem mil cópias - de seu último disco The Captain & The Kid. Elton deveria entender que a indústria está acabando nos moldes tradicionais (o que é ótimo), mas a música vai bem, obrigado. Hoje, um músico não é obrigado a ser escravo de gravadoras para que seu trabalho seja conhecido do grande público. Basta saber usar a rede. A grana vem de shows e da liberação de sua música para download e outros fins. Elton, não é preciso ser jovem para usar a Internet! Faça como seu colega David Bowie, que foi um dos pioneiros no uso da web e hoje ganha muito dinheiro com isso.

 

Prêmio da semana

O leitor Vítor Branco foi sorteado entre os diversos fãs de Prince que escreveram dizendo o nome completo do genial músico: Prince Rogers Nelson. E vai ganhar sua discografia em mp3. O prêmio da semana é a coleção completa de discos do Led Zeppelin em formato digital. Para ganhar, basta escrever para a coluna (andrebalaio@gmail.com) dizendo: qual o nome do filme em que a banda fictícia Stillwater foi claramente inspirada no Led Zeppelin?



Escrito por André Balaio às 18h14
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 27 de julho de 2007

 

O príncipe do pop

 

 

A primeira vez que vi Prince foi no clipe de “1999”, bem no comecinho dos anos 80. Lembro que ele foi anunciado como “o ídolo de Michael Jackson”, numa tentativa de lhe dar legitimidade através do cantor que estourava em todo o mundo com o disco “Thriller”. Em 1984, fui pego em cheio com a fantástica “When doves cry” pelo vídeo que passava de instante em instante na TV e tinha imagens do filme “Purple Rain”. A mistura de rock e black music daquele belo lamento pop não sairiam mais da minha lista de preferidos. Lembro que alguns amigos headbangers torceram o nariz quando admiti que “Prince era legal”. À medida que os anos 80 avançavam, Prince se firmou não só como um artista “legal”, mas como um gênio. Tão prolífico que o chamavam de “Mozart mulato”. Sua música era pop, sexy, dançante, criativa, sofisticada e influente. Discos como “Parade”, “Lovesexy” e principalmente o álbum duplo (e obra-prima) “Sign “O” The Times” eram o ponto alto das primeiras festas legais que pude ir na vida. Ele ainda se notabilizaria com várias de suas canções gravadas por outros artistas, caso de "Nothing Compares 2 U", enorme sucesso na regravação de Sinéad O'Connor.

Os anos 90 vieram com o furacão grunge e Prince foi ficando esquecido à medida que se tornava mais excêntrico. Depois de uma batalha judicial com a gravadora Warner, que detinha os direitos sobre sua obra, ele decidiu trocar seu nome por um símbolo impronunciável. “O artista” – como também era chamado – lançou discos “assinados” pelo símbolo ou como integrante da banda New Power Generation. Seu sucesso artístico e comercial minguou até o início do novo milênio, quando voltou a usar seu nome de batismo. Em 2004, saiu “Musicology”, grande retorno do músico às paradas e à boa forma musical.

Agora, ele acaba de lançar seu novo álbum “Planet Earth”. E o pequeno gênio de Minneapolis voltou a surpreender. É que o disco saiu gratuito na Inglaterra - encartado no jornal “The Mail on Sunday” – o que provocou a ira dos lojistas britânicos. Embora não seja um de seus melhores, “Planet Earth” é uma interessante salada pop que leva R&B, rock (é um dos discos mais roqueiros de sua carreira), soul, hip hop, disco e jazz. Inclusive o primeiro single é o rock “Guitar”, que traz o verso: “Eu te amo, garota, mas não tanto quanto eu amo minha guitarra”. Quase não existem efeitos eletrônicos, o que lhe confere um interessante ar “retrô”. Há idiossincrasias, como o vocal saturado e estranho em “Future Baby Mama”. Mas é a sacolejante “Chelsea Rogers”, segundo single, a melhor canção do disco e uma das melhores do ano. A alteza está de volta.



Escrito por André Balaio às 10h20
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O rei Midas

 

Timbaland é o homem que hoje transforma música pop em ouro. Sua extensa folha de serviços vai de Justin Timberlake a Björk, quase sempre com resultados surpreendentes. Pois bem, o produtor agora fez milagre com The Hives. Para quem não lembra, esta é aquela banda sueca apontada como a “salvação” do Rock na virada do milênio junto com a australiana e quase homônima The Vines. Mas o sucesso de grupos como The Libertines, The Strokes e Franz Ferdinand abafou a onda das bandas de nome parecido. Mas Timbaland gosta de desafios e fez uma parceria com os suecos em "Throw It On Me", rock energético com guitarras altas, batida hiper-dançante e os vocais hip hop de Timbaland tendo ao fundo o refrão roqueiro gritado pelo vocalista Pelle Almqvist. O resultado ficou tão legal que o Midas incluiu em seu último disco, “Timbaland presents Shock Value”. Este, por sua vez, é uma aula de hip hop e R&B, com músicas pegajosas e arranjos inusitados. Há também uma grande quantidade de convidados famosos, como Nelly Furtado, Justin Timberlake, Missy Elliot e um improvável Elton John.

O vídeo-clipe de "Throw It On Me" tem visual baseado em Sin City. Está em http://www.timbalandmusic.com/media/player.aspx?mid=311&bhcp=1. Vale à pena dar uma olhada.

 

O arqueólogo

Além de líder da banda Profiterolis e compositor de trilhas sonoras de filmes pernambucanos, Tomaz Alves tem uma outra atividade musical admirável: ele tem desencavado tesouros em forma de vídeos antigos, colocando-os no You Tube. O perfil do moço é http://www.youtube.com/user/acurtina e traz antigos vídeos tirados de especiais de Natal de Roberto Carlos. Está lá a estréia da música “Amigo” em 1977, com Erasmo se debulhando em lágrimas. Também pode ser visto um curioso dueto do rei com Caetano Veloso na música “Como dois e dois” deste último, mostrado no especial de 1975. Beach Boys, Bryan Ferry e Marc Bolan também marcam presença em imagens raras. Periga viciar.

 

Prêmio da semana

O leitor Luiz Mastrangeli ganhou a discografia em mp3 do Talking Heads. Segundo ele, cada trabalho da banda americana é único e não cabe em uma simples coletânea. O prêmio da semana é a discografia completa de Prince em versão digital. Escreva para a Hey! (andrebalaio@gmail.com) respondendo: Qual o nome completo do pequeno e genial músico de Minneapolis?



Escrito por André Balaio às 10h20
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 20 de julho de 2007

 

Cabeças falantes

Quando Chico Science e Nação Zumbi tocaram no CBGB, antológico clube nova-iorquino, uma figura chegou de bicicleta para assistir o show com a namorada na garupa. Era David Byrne, velho freqüentador do local que – segundo Hilly Kristal, o dono do espaço – há muito não pisava ali. De fato, Byrne tem uma ligação forte com a música brasileira. Ele foi o responsável pelo renascimento musical de Tom Zé, relançando obras do compositor baiano nos EUA pelo seu selo Luaka Bop. Conheço muita gente que jamais perdou Byrne por isso. Ele também gravou com Marisa Monte e teve música cantada por Caetano Veloso que, aliás, é seu amigo (algo típico de todo artista gringo que vem ao Brasil). Mas se há um motivo para que David Byrne seja imortalizado é pelo Talking Heads.

 

 

Inicialmente um trio criado em 1974 em uma escola de design do estado de Rhode Island, o grupo tinha - além de David Byrne nos vocais e guitarra - o casal Tina Weymouth no baixo e Chris Frantz na bateria. Em pouco tempo já estavam em Nova Iorque, freqüentando a cena punk e new wave formada em torno do citado CBGB. Nesta época, já tinham um quarto integrante: Jerry Harrison (teclados, guitarra e vocais) vindo da banda de Jonathan Richman. O som era diferente de tudo da cena nova-iorquina: dançante, mas cerebral e performático ao mesmo tempo. Lançaram um fantástico disco de estréia, “Talking Heads: 1977” no ano do título, que trazia a genial “Psycho Killer”, que viraria uma espécie de assinatura do grupo. Pouco depois, iniciaram uma parceria com o músico e produtor inglês Brian Eno, ex-integrante da Roxy Music. Foram três discos que representavam o que havia de mais moderno e original no pop do comecinho dos anos 80. Speaking in Tongues representou o rompimento na parceria com Eno. Apesar da leve queda da qualidade artística, a banda ganhou mais visibilidade e sucesso comercial, tendo em “Burning Down the House” seu primeiro hit a entrar nas paradas americanas. Lançaram dois ótimos discos pop, Little Creatures e True Stories, em 1985/86, sendo este último a trilha de um documentário de mesmo nome dirigido por David Byrne. Aos poucos, foram deixando as referências da música negra americana para substituí-las por um estilo mais próximo da World Music. Dentro desta linha e sob forte influência de David Byrne, em 1988 lançaram  Naked, seu último disco gravado em estúdio. Tudo indica que as preferências musicais do vocalista colidiram com o resto da banda, o que deve ter precipitado seu fim. O casal Frantz-Weymouth já vinha inclusive tocando seu projeto paralelo Tom Tom Club de pop dançante desde os anos 80. Em 1996, lançaram - sem Byrne - o disco “No Talking, just head”, como uma suposta banda The Heads. Indireta clara contra o vocalista.

 

 

Desde o fim anunciado no início dos anos 90, os Talking Heads tem sido cada vez mais valorizados e reconhecidos por bandas de diversos estilos. Franz Ferdinand, por exemplo, é uma das que demonstram ter a influência mais clara do grupo americano. Algumas bobagens feitas depois por David Byrne não mancharam o irretocável legado das “Cabeças falantes”.



Escrito por André Balaio às 20h24
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Ninja

“Blog colaborativo pra celebrar os sons, com links pra baixar as músicas, ou às vezes discos inteiros. Para fazer jus ao nome, a idéia é variar de estilos sempre. Espero que o blog seja surpreendente, de maneira que provoque sempre a curiosidade do leitor. Podem aparecer obras-primas da música mais refinada ou canções totalmente fuleiras, se forem divertidas.” Esta é a apresentação do “Não se restrinja, ninja”, excelente blog de música que vai da cantora de dor-de-cotovelo Núbia Lafayette ao pernambucano e figuraça Grilowsky, de Marc Bolan & T-Rex a Crystal Castles. O endereço é

http://naoserestrinja.blogspot.com/ e vale dar uma olhada nas preciosidades.

Castelo de Cristal

O nome é inspirado em um castelo do velho desenho animado “She-Ra”. Crystal Castles é também uma feliz descoberta na música, cortesia de um antenado leitor desta coluna. Trata-se de um duo canadense de música eletrônica do mesmo selo da banda inglesa The Klaxons, de quem são amigos. Típico produto moderno do jeito “faça você mesmo”, ou seja com gravações feitas em estúdios caseiros e lançadas direto no MySpace (http://www.myspace.com/crystalcastles), a dupla é formada pelo músico Ethen e pela vocalista Alice. Segundo seus integrantes, “a banda foi um acidente”. Afinal, eles gravaram alguns trabalhos apenas para mostrar aos amigos na internet. Mas foram descobertos pelas gravadoras e viraram sensação. Um exemplo da falta de pretensão é a música “Alice practice”, gravada de forma fortuita por Ethen enquanto Alice praticava. Muito legal.

 

Prêmio da semana

“Esta semana resolvi doar sangue, primeiro pela boa ação, e porque percebi que o sangue precisa se renovar. Também comecei a ver isso no Rock and Roll e finalmente conheci o WHITE STRIPES, é o sangue do Rock se renovando!” Foi assim que o leitor Carlos José Dornelas escreveu para a coluna e ganhou todos os discos do White Stripes em mp3, incluindo o novíssimo e sensacional Icky Thump. O prêmio da semana é a discografia dos Talking Heads em versão digital. Para ganhar, basta escrever para a Hey! (andrebalaio@gmail.com) dizendo porque você quer ouvir o Talking Heads. Resultado do sorteio na próxima coluna.



Escrito por André Balaio às 20h23
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 13 de julho de 2007

 

Para calar os saudosistas

 

 

Tem gente que sofre de nostalgia precoce e vive reclamando que hoje em dia não se lançam mais discos bons. Imagino o que dirão quando souberem que em menos de um mês saíram (pelo menos) três discos maravilhosos.

Em meados de junho saiu Icky Thump, novo petardo do White Stripes. O prolífico Jack White deu um tempo no Raconteurs, seu projeto paralelo, para voltar à parceria com sua ex-mulher e irmã de mentirinha Meg. Ela continua tocando bateria feito uma criança. Ele parece fruto de uma experiência genética que juntou o vocalista Robert Plant e o guitarrista Jimmy Page na mesma pessoa. Ou seja, a dupla ainda soa como se o Led Zeppelin tivesse virado uma banda punk. As referências principais ainda estão no blues, no indie pop e no hard rock, mas agora o leque está maior. Em Icky Thump, eles atacam de country (na ótima “Effect and Cause”), de folk psicodélico (“Prickly Thorn, But Sweetly Worn” e “St. Andrew - This Battle Is In The Air”), chegando até um desconcertante som latino de mariachis mexicanos na deliciosa “Conquest”.

 

 

No fim do mês passado, os Beastie Boys lançaram o surpreendente The Mix-Up. A surpresa é que o disco é todo instrumental, o que vem pontuar uma trajetória marcada pela ousadia. O trio nova-iorquino começou como um grupo de punk-rock, alcançando um estrondoso sucesso quando passou a fazer rap nos anos 80. Na década seguinte, eles se tornaram uma das principais referências do rock alternativo, fundindo-o com o Hip Hop e a música eletrônica. Em The Mix-Up, à formação guitarra-baixo-bateria do trio junta-se o “molho” de órgão e percussão. A banda bebe na fonte inesgotável da soul music, tendo a psicodelia funky de George Clinton como referência obrigatória. Pode ser lugar-comum, mas parece trilha de filme blaxploitation, os “filmes de negão” tão populares nos anos 70. O que é sempre fantástico.

 

 

Por fim, o Interpol lançou na semana passada seu terceiro disco, “Our love to admire”. Sim, a voz de Paul Banks ainda parece a de Ian Curtis do Joy Division e o som é fortemente oitentista. Mas a beleza das melodias e arranjos é tanta que acabamos por esquecer estes detalhes. São canções tristes, em tom menor, com notas repetidas em seqüências hipnóticas. O resultado é profundamente pop. E chega a ser dançante em alguns casos, como em “Heinrich Maneuver”, primeiro single do disco. Perfeito para uma tarde chuvosa.



Escrito por André Balaio às 11h26
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Dia do Rock

 

Eu nunca dei muita trela para esse negócio de dia mundial do Rock. Afinal, nada menos Rock’n’Roll do que se institucionalizar um dia para o gênero. Mas a origem é nobre, já que há precisos 22 anos acontecia o Live Aid, mega-show - com as maiores estrelas da música pop de então - para obter fundos para a população de uma Etiópia assolada pela fome. U2, Madonna, David Bowie, Bob Dylan e até um redivivo Led Zeppelin (com Phil Collins e Chester Thompson do Genesis na bateria) marcaram presença. Para mim, o dia do Rock deveria ser 03 de fevereiro. Foi nesta data que Buddy Holly e Ritchie Valens morreram no acidente aéreo em 1959, imortalizado na canção "American Pie" de Don McLean (gravada depois por Madonna) como "the day that music died".

 

Invadindo Sampa

 

The Playboys vai levar seu punk de brinquedo para zoar em São Paulo. Os mauricinhos da gréia vão participar do PopLoaded, esperto programa de rádio virtual de dois dos mais respeitados jornalistas musicais tupiniquins, o “reverendo” Fábio Massari e Lúcio Ribeiro. No dia 13, eles tocam no Clube Berlin, na Barra Funda e, dois dias depois, na sexta edição do festival Araraquara Rock, em companhia dos Ratos de Porão, da Lobotomia (essa é das antigas!), da clássica Violeta de Outono e da ótima Vanguart.

 

Gritando alto

O Grito (www.revistaogrito.com) foi um dos sites mais legais que eu descobri nos últimos meses. Esta revista eletrônica dedicada a música e quadrinhos é feita por uma dupla do Recife com colaboradores de São Paulo, Natal e Goiânia. Traz resenhas, entrevistas e notícias em formato de blog, com grande abrangência de temas e atualizações constantes. Vale à pena dar uma olhada.

 

Espaço rocker

 

O UK Pub vem se tornando um espaço legal para bandas independentes em Boa Viagem.No dia 21, a  banda Terceira Edição lança seu segundo álbum “Histórias Sobre Todos e Sobre Ninguém”, que teve produção da obrigatória e onipresente dupla William P e Leo D. Vai lá.

 

Saudade dos japas

 

Um leitor me perguntou sobre o paradeiro do ótimo Pizzicato Five. Embora não tenham acabado oficialmente, os japoneses não lançam nada novo desde 2001, ano em que saiu o ótimo disco “Çà et là du Japon”.

 

Prêmio da semana

 

Celina Kelly é o nome da vencedora do prêmio da semana passada. Ela escolheu a coleção de discos em mp3 de Patti Smith, incluindo o recente Twelve. No e-mail a leitora explicou que adora a roqueira americana também porque ela é feia. O prêmio desta semana poderá ser escolhido entre as discografias do Beastie Boys, Interpol ou White Stripes, incluindo o disco novo de cada um. Para ganhar, escreva para a Hey! (andrebalaio@gmail.com) falando porque você gosta tanto de uma destas três bandas.



Escrito por André Balaio às 11h25
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 06 de julho de 2007

 

Coverama

 

 

Quando um cantor-compositor ou uma banda lançam um disco apenas de covers (versões de músicas de outros artistas), pode ser uma parada estratégica para tomar fôlego e repensar a carreira ou apenas uma forma de se divertir. Muita gente boa já fez isso. John Lennon, Ramones, Metallica, Caetano Veloso são exemplos que me vêem à cabeça. Coincidentemente, dois artistas que revolucionaram os anos 70 acabam de lançar discos de covers: Bryan Ferry com “Dylanesque” e Patti Smith com “Twelve”. O inglês Ferry ajudou a criar a estética “glam rock” e deu sofisticação ao pop com sua banda Roxy Music. Smith foi precursora do Punk, sendo a principal referência poética da cena nova-iorquina. Compositores de clássicos do Rock, eles deram um tempo em seus trabalhos autorais. Mas isso é apenas na aparência, já que praticamente reinventam as obras visitadas em seus novos CDs.

O disco de Ferry é apenas com canções de Bob Dylan. É comum ver o maior compositor popular vivo ter suas músicas re-interpretadas por outros artistas. Há casos em que elas ficam melhores com terceiros, como com os Byrds ou The Band. Na maioria das vezes, porém, ninguém foi capaz de suplantar a versão original na voz de taquara rachada do gênio americano. Bryan não é um neófito, já que havia gravado canções de Dylan antes: A Hard Rain's a-Gonna Fall em “These Foolish Things” (1973), seu primeiro disco solo só com covers, e It's All Over Now, Baby Blue em “Frantic”, seu penúltimo disco, de 2002. O recente “Dylanesque” é um disco desigual, que alterna ótimas releituras com outras um pouco previsíveis. Há músicas conhecidas como The Times They Are a-Changin' e All Along the Watchtower, passando pela batidíssima Knockin' on Heaven's Door (que teve até versão em português de Zé Ramalho) e outras menos óbvias, feito Just Like Tom Thumb's Blues e Gates of Eden. Em All I really want to do, Ferry perde feio da versão definitiva dos Byrds, mas em Positively 4th Street, ele se mostra um intérprete inspirado. No final, o saldo é positivo.

Patti Smith foi mais abrangente ao escolher doze canções de artistas diferentes, daí o seu novo trabalho se chamar “Twelve”. O onipresente Dylan tem sua bela Changing of the Guards revisitada, passando por Are you experienced? de Jimi Hendrix, Helpless de Neil Young e uma versão visceral de Gimme Shelter dos Rolling Stones. Esta última foi a abertura de seu memorável show do Tim Festival no ano passado. Patti surpreende ao escolher a oitentista Everybody Wants to Rule the World, da dupla inglesa Tears For Fears (que no Brasil tinha o irônico apelido “Tias Fofinhas”) e tirar do limbo a fenomenal The Boy in the Bubble de Paul Simon. Mas é o eterno hit do Nirvana Smells like teen spirit o grande destaque do disco. Esqueça a versão fiel de Cássia Eller. Aqui ela virou uma amarga balada country onde pontificam banjo e rabeca, com direito a Smith declamar alguns de seus sempre contundentes versos. Kurt Cobain – fã confesso da musa punk – ficaria orgulhoso.



Escrito por André Balaio às 19h22
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Soprando velinha

E a Hey! faz um ano de vida. Neste período foi possível abordar assuntos diversos da música popular, dentro da absoluta liberdade que me é dada pelo Diário de Pernambuco para a escolha de temas. O mais legal da coluna é a participação dos leitores, que escrevem não só para concorrer a prêmios, mas também para dar sugestões, fazer críticas, tirar dúvidas. Não tenho como saber o quanto a coluna é lida, mas pela qualidade do que me escrevem, dá para se ter idéia do ótimo nível dos leitores. Obrigado!

 

Amanhã a essa hora...

O filme francês “Amantes constantes” (Les Amants Réguliers) de Philippe Garrel – em cartaz no Cinema da Fundação – tem pelo menos uma cena antológica. Ela ocorre numa festa, onde os personagens dançam de forma fluida e leve, que é como se dançava na época em que se passa a história, no fim dos anos 60. A música é a bela This time tomorrow, da banda inglesa The Kinks. “Amanhã a essa hora, onde estaremos?” é a pergunta feita na letra, que ilustra tão bem a mudança vivida pelos personagens. Embora tenham canções de muito sucesso como Lola e You really got me, a banda liderada por Ray Davies nunca teve o destaque que merecia. Talvez o tempo repare essa injustiça. Enquanto isso não acontece, pode-se curtir a famosa cena de “Amantes constantes” no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=qabTa3M4D6I

 

Prêmio da semana

O leitor Anderson Lima ganhou dezenove discos em mp3 do genial artista francês Serge Gainsbourg. Ele foi sorteado entre os que acertaram o verdadeiro nome do francês: Lucien Ginsburg. O prêmio desta semana é especial de aniversário da coluna. O leitor poderá escolher a discografia completa em mp3 de seu artista ou banda preferida. Depois, é só mandar um e-mail para a coluna (andrebalaio@gmail.com) dizendo em uma frase por que gosta tanto dele(s). Farei um sorteio entre as melhores frases. Obviamente, não vale colocar o nome de uma obscura banda de Nova Guiné, Sumatra ou coisa parecida.

 

P.S.

Esta coluna é dedicada a Rafael, o Rafa do Mombojó. Que ele esteja em paz.

 



Escrito por André Balaio às 19h22
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Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 22 de junho de 2007

 

De copo na mão

 

 

Em 1986, Whitney Huston participou do programa de um famoso apresentador da TV francesa. Seria igual a tantos outros não fosse um outro convidado: ninguém menos do que o genial e irreverente Serge Gainsbourg que - completamente embriagado – disparou: “Eu quero transar com ela”. A cantora americana e a platéia ficaram rindo de forma constrangida. A cena (http://www.youtube.com/watch?v=LMAHstZ565w) é uma pequena mostra da figura que foi Serge Gainsbourg. Alguém postou o comentário no You Tube: “Incrível como hoje em dia ela está parecendo com ele”, numa alusão aos problemas que a cantora atualmente atravessa com álcool e drogas. Sim, Gainsbourg foi um famoso “bebum”, mas também o artista francês mais influente do pós-guerra. Poeta, músico, compositor, diretor de cinema; suas atividades foram muitas, sempre exercidas com talento e um enorme senso de provocação. E ficou mais conhecido através da música em uma carreira que atravessou três décadas. Começou na “chanson” francesa, passando pelo jazz, pop, reggae, eletrônica e até hip hop. Eu particularmente prefiro a produção pop feita nos anos 60 e 70. Sua canção mais conhecida é “Je t'aime... moi non plus”, gravada inicialmente em 1967 com Brigitte Bardot em uma versão que acabou não sendo lançada. Dois anos depois, Gainsbourg lançou a famosa versão com sua mulher, a bela atriz inglesa Jane Birkin. Além da ótima melodia, a letra de caráter sexual explícito e os gemidos e sussurros com que Birkin simulava o ato sexual (corre um boato que os dois gravaram uma transa verdadeira) fizeram com que a música estourasse nas paradas. Foi condenada pelo Vaticano e proibida em vários países, inclusive no Brasil. Seis anos depois, Gainsbourg dirigiria um ótimo filme de mesmo nome com sua esposa e “Je t'aime...” na trilha. Mas o gosto pela polêmica continuaria nos anos seguintes: fez um disco recheado de humor negro com o nazismo como tema (“Rock Around the Bunker”), mesmo sendo um judeu de família perseguida na Segunda Guerra. Gravou a “Marselhesa” – hino francês – com levada reggae e letra alterada. Lançou uma música em que fazia dueto com sua jovem filha Charlotte tendo o incesto como tema (“Lemon incest”).

Morreu em 1991, aos 63 anos de infarto, causando comoção na França e no mundo civilizado. Tem sido reverenciado por uma leva de artistas como Air, Beck, Pulp, Suede, Franz Ferdinand e Brian Molko (Placebo). Muitos deles regravaram suas músicas em discos próprios ou tributos. Alguns discos fundamentais do gênio: “Bonnie & Clyde”, Initials B.B., Jane Birkin/Serge Gainsbourg, Histoire de Melody Nelson e L'homme à tête de chou.



Escrito por André Balaio às 12h09
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